domingo, 2 de outubro de 2016

Mar-amor

Eu não entendo patavinas de navegação, mas imagino que o sucesso da viagem de uma embarcação dependa de condições favoráveis como a força e a direção do vento, as marés, e tudo mais que eu não percebo mas já vi em filmes. Ah, e claro! Convém que a embarcação esteja em boas condições físicas, é preciso que esteja íntegra para que possa completar a viagem sem que na primeira tempestade as ondas lhe arrebentem o casco, e não pode faltar uma boa capitã ou capitão na direção.
Pois é, estando eu aqui matutando entre as trivialidades da vida, pus-me a pensar em algumas questões acerca do amor, não sei se a ele cabe o lugar de mar ou embarcação, mas quando imagino o amor entre duas pessoas, imagino-as como se fossem uma embarcação. Quando penso na durabilidade dos amores, penso na viagem que seguem, portanto, o mar pode ser o amor, sim, digamos que o mar seja o amor, e vai um casal-embarcação pelo mar-amor.
Não podia ter imaginado melhor analogia dado o meu medo de mar, amor, embarcações e pessoas. Pois então, pelo adiantado da hora, seguirei sem mais preâmbulos, eis o que imagino:
Uma embarcação, que são essas pessoas que se amam, ou coisa que o valha, ou sabe se lá por que, resolvem ir juntas pelo mar, e como vemos, algumas embarcações são lindas e seguem lindas mares sem fim, depois há aquelas embarcações que já parecem deixar o cais sem direção, e seguem ao deus dará, e são por vezes até bem sucedidas, mesmo sem saber para onde ir, os bons ventos as levam longe, livres de tempestades, seguem serenas e inteiras mar adentro.
Eu poderia falar das desastrosas embarcações que afundam tão logo deixam o cais, ou daquelas que mesmo saindo para a viagem em boas condições são castigadas pelas intempéries do tempo e se veem forçadas ao retorno, e sábia é a capitã ou o capitão que sabe a hora de voltar. Não vou falar das embarcações mal governadas, não me interessa falar do que vai mal, o que me interessa é dizer que para mim, hoje, depois de meditar um pouco, me intriga o mar e o amor, e digo mais, quisera eu saber como manter uma embarcação em águas serenas e navegar tranquila pelo mar-amor, quisera eu empreender uma viagem maior que meu medo e linda e cheia de amor, como eu mereço.

domingo, 3 de julho de 2016

Você pensa demais!

Se existe uma frase que me intriga é... “Você pensa demais!”, sempre que alguém me diz isso, ponho-me a refletir, afinal, não é suposto que eu pense? Antes eu imaginava que era a forma que algumas pessoas tinham de me lembrar que eu deveria relaxar e viver de maneira mais leve.
Depois de analisar os fatos, caí na conta de que não é nada disso, tem a ver com o incômodo que gera em certos homens, e por vezes, algumas mulheres, que eu, ou qualquer outra mulher, pense. Quer me parecer que para muitos pensar é unicamente do macho, que ideia triste!
Sim, eu penso! Não tenciono pensar menos, acredito inclusive, que não existe um pensar demais, mas existe pensar de menos, quanto a isso não resta dúvidas. Pensar, na minha opinião, é um exercício constante, é questionar o que está posto, não aceitar tudo de pronto. Deixar-se levar pelo fácil, é cômodo, mas pensar me parece mais interessante, confesso que o tédio me consumiria se eu não fosse pensante. Concordo inteiramente com o clássico “o saber não ocupa espaço”, não ocupa mesmo!
Outra frase que me intriga bastante e que já ouvi de duas pessoas ligadas à religião é “estudar não deixa ninguém rico!”, vamos lá ver... Eu fico desconfiada, afinal, não deveriam os homens de fé estimular o gosto pelos estudos? Aparentemente, pelo menos de acordo com os indivíduos que conheci, não! Temos de um lado os que criticam quem pensa, e de outro os moços do púlpito que antes preferem que façam algo para enriquecer ao invés de estudar. Mas por quê? Ora, já imaginaram que grande perda de tempo estudar, sem contar o trabalho que lhes daria pessoas questionadoras dentro de suas igrejas?  
São tempos de retrocesso minha gente! Um crescente e assustador, retrocesso. E claro está, desnecessário mencionar, mas os que ousam pensar, serão sempre uma pedra no sapato dos que gostam de pensar pelos outros, e não falta quem queira pensar por nós, são estimados os que seguem o fluxo, prefiro ser odiada nesse caso.
Há quase dez anos, escrevi um texto sobre preconceito, uma pequena parte do referido texto cabe bem aqui “...é assim que devemos estar, tal como eles nos querem, intolerantes e seguidores do que nos ditam, se começarmos a pensar o que eles vão fazer? Eles nos querem burros!”

Nessa época eu já era uma feminista, a resistência que classifica os marginais despontou em mim muito cedo, ainda que eu não soubesse que resistia a muitas formas de dominação empreendidas pela ideologia patriarcal, ainda que eu não soubesse para o que eu estava dizendo não, era de mim questionar, é de mim questionar! Eu sou um completo fracasso para a maioria das pessoas “bem-sucedidas” que conheço, sou eu a pessoa má sucedida que não tem vintém, estou em desiquilíbrio acerca do que a sociedade capitalista e patriarcal valoriza: sou uma desempregada, estudante de Serviço Social, feminista, balzaquiana solteira que mora com a mãe, sem filhos (felizmente!), ah! E tenho um cachorro magnífico. O ponto da questão é, se eu fosse me preocupar com o que eu não sou de acordo com os padrões de normalidade estabelecidos e exigidos pela sociedade já teria ceifado minha vida com um veneno de rato qualquer. Mas eu não sou apenas marginal, vou me fazendo indiferente a tudo que dizem, por que sinto que o raso dos julgamentos das outras pessoas não é possível de captar minha essência e nem mesmo a delas, o fato é que não me importo, e vou terminar o texto sem grandes conclusões, por que posso fazer isso, todos nós podemos.

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Se o tédio escrevesse...



O que será que nos move mais, a paixão ou o desejo? Hoje amanheci com essa questão, há tempos atrás julgava ser movida pela paixão, contudo, não sei mais, por que quando sinto desejo, sinto-o forte em mim, por isso percebo que se tratando do meu caso em particular, o desejo se entrelaça com a paixão.

Existe uma resistência em mim quando o assunto é realizar tarefas que não me apetece nada realizar, não consigo me sentir impelida a fazer, não me pesa a obrigatoriedade, logo, para mim, o contrário do desejo é o vazio, a falta do sentir.

A questão que se coloca é, em que medida vivemos ignorando o vazio? Quantas vezes tentamos transformar o vazio em desejo? E os muitos desejos dos outros que tentamos forçosamente tomar para nós como se fossem nossos? Viver a base do convencimento de que o vazio é alguma coisa, é uma miséria! Um autêntico embuste. E não paramos para mesurar, mas acreditem, pesa mais o vazio que o desejo pulsante. A realidade é que falta coragem de reconhecer o que nos move, afinal, custa-nos menos acreditar que queremos do que admitir que não sabemos se queremos, ou ainda, que de todo não queremos, que nunca quisemos, mas na ausência de escolhas, temos que fazer, precisamos dizer, devemos calar e etc. O fato é que nem sempre é possível fazer tudo o que queremos, mas por vezes fazemos tudo o que não queremos de maneira morna, como se errado fosse ceder ao desejo de por exemplo, dizer não! Pode não parecer, mas cabe muita paixão no “não”! Ser morno é ruim, se for para ser um “sim” morninho, mil vezes um “não” cheio de paixão!


15/06/2016

quinta-feira, 16 de junho de 2016

"Amores" tóxicos



Quero falar de mudanças, das possíveis mudanças que vão acontecendo entre descobertas e quedas, nesse constante "morrer e renascer” em nós e por nós. Não dá para seguir em frente sem se refazer de dez a duzentas vezes por semana.
Andei muito tempo enganada, e enganando outra pessoa em igual medida, presa a um sentimento mesquinho de posse que não tem nada a ver com amor, acontece que por muito tempo parecia amor, mas não era.
Uma parte de mim imaginava que o amor deveria ser leve e não entendia aquele peso, mas outra parte, a parte dependente e possessiva estava convencida de que não precisava ser leve por que os amores não são todos iguais e repetia para mim “amor só é bom se doer”, Vinicius e Baden que me desculpem, já não concordo com isso!
Descobri ao fim de um tempo que os amores até podem não ser todos iguais, mas os relacionamentos abusivos, são imensamente parecidos! Eu sei disso pela distância que tomei do amor que julguei sentir, e por isso foi possível constatar que quando há necessidade de prender e sufocar, e por conseguinte, ser também uma pessoa presa e sufocada, é um relacionamento de posse, um fastidioso relacionamento de posse, onde perde-se a individualidade e torna-se um objeto particular e vazio. O controle mútuo e a necessidade de prestar obediência é tóxico para qualquer tipo de relação. Chamar de amor um relacionamento abusivo não vai torná-lo amor, continuará sendo um relacionamento carente de amor, talvez o melhor e o principal, o amor próprio. Quando erroneamente chamamos amor por que assim gostaríamos que fosse, o que é ruim não melhora, amor não aparece quando é invocado.
Relacionamento abusivo é aquele que você se sente bem por um tempo, até ser culpado de algo e acreditar que é responsável por todas as coisas ruins que acontecem no relacionamento, quiçá, no Universo. É um jogo emocional covarde de culpas e desculpas, o fracasso dorme no meio do casal, temos um ménage à trois bizarro.
Alguns relacionamentos abusivos partem de uma das partes, fazendo do outro sua “vítima”, outros são mantidos pelo casal em pé de igualdade abusiva, o fato é que perde-se muito, primeiro o espaço, depois a razão, as vezes depois de um tempo, é capaz de que a própria identidade se apague, ao fim de tudo fica a história anterior a esse relacionamento, mas vale ressaltar que, em relacionamentos tóxicos não se deve se quer lembrar do passado, não anterior ao seu “amor”, justamente por não inclui-lo, portanto, se não inclui a “pessoa amada” então melhor não pensar, vai que a pessoa descobre, seria fatídico, nos relacionamentos abusivos a sua vida começa com aquela pessoa e só existe com ela.
O relacionamento abusivo é difícil de ser descoberto, confunde-se com amor, por isso pode demorar algum tempo até que se descubra que não é saudável, que você não é mais você, e que se você precisa oprimir para ser feliz é melhor que esteja só. O que pude perceber é que há pessoas que são capazes de acostumar com o que é horroroso, há quem goste do que é tóxico, e por vezes, é possível que um saia e o outro queira continuar, por que ainda continua enxergando amor onde nunca existiu.

sábado, 11 de junho de 2016

Dia dos namorados, ouse amar!



E as criaturas que se apegam à desculpa da intensidade para experimentar pessoas? O que dizer dessa gente cheia de medo de viver e que ao mesmo tempo tem uma gana de fazer uma vida em quinze dias! Para quê tanta afobação? Não é vivendo que se conhece o outro? Por que andamos todos armados em super heróis conhecedores de pessoas, intrusos de almas ou merda que o valha? Em um dia já julgamos conhecer todos os segredos do outro, e no dia seguinte o descartamos, por que afinal caímos na conta de que não serve.
É a mesma lógica da compra de produtos, em tempos de capital fetiche, também somos produtos expostos como os que ficam nas prateleiras dos mercados. Então o que acontece é que nos encantamos com a embalagem, depois com os ingredientes, então, levamos para casa, provamos. Depois de provar descobrimos “ah...Não era bem isso que eu queria! Não estou bem certo se gosto”. Então voltamos ao mercado e escolhemos outro produto, desta vez com mais atenção, evitando os mesmos ingredientes, mas repetindo sempre a mesma lógica vazia de quem pensa que sabe o que quer. Nossa história de vida passa a ser um armário cheio de “potes”, e de repente somos esses potes pouco estimados, largados, preteridos, somos potes sem valor. 
Pelo vazio de sermos potes, faço um apelo, em primeiro lugar, a mim, e depois a quem interessar: Ouse amar! Mas ame-se primeiro, pratique o amor em você, sinta-se pleno, depois ame-se mais um pouco, e a cada dia mais e mais, e à medida que o amor for crescendo em importância para você, estenda-o aos outros,  afinal, ninguém pode dar o que não tem.




   

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Da covardia

Aparentemente, a meu ver, a covardia não é nada mais que uma expressão do medo, contudo, quando pensamos em medo, o vemos de forma muito particular, como se afetasse somente a nós próprios, mas quando falamos em covardia, parece-me que é extensiva e alcança quem tem que alcançar, portanto, a covardia tem alvo. Como disse Gandhi "o medo tem alguma utilidade, mas a covardia não".

Não me sinto em condições de apontar o dedo para aspectos humanos que reconheço nos outros pelo fato de não faltarem em mim, como a covardia, creio que todos nós somos passíveis de cometer atos covardes.

Há quem seja covarde a em regime integral, levando a covardia consigo o tempo inteiro, são os que agem por trás, os que esperam a queda do adversário e se alegram enormemente em ser covardes. Depois há os covardes moderados, que são aqueles que ponderam entre uma covardia e outra, e só são covardes quando necessário, ou seja, quando para benefício próprio necessitam agir de forma covarde, existem também os corporativos tendenciosos, os que se apoiam nos atos de covardia, são covardes por que sentem-se amigos fiéis ao se juntarem em covardias, o que é um contrassenso, por que também é próprio do covarde abster-se quando convém, quando tem lado definido mas não quer se colocar, faz-se de neutro, covardes não costumam tomar partido quando podem ser implicados.

Existem muitos tipos de covardes, mas tem um que considero bem estranho, são os covardes do coração, os que temem gostar de alguém, e criam desculpas, os covardes do coração são pró-sexo e anti-amor, podem fazer sexo, por que não tem medo de provar pessoas, mas são covardes para amar, para eles não existe essa possibilidade, o que faz deles o tipo de covarde mais patético, o covarde da meia entrega, não serve nem para fazer covardias, é desqualificado até para o que é mais falso na vida.

Covardia é pior que medo! Medo você sente, covardia você constrói, é pensada! O covarde passa tempo arquitetando e inventando desculpas para si e para os outros, cria todo o tipo de estratagema para não se autodenominar covarde, quer se eximir da culpa por que sabe que a covardia fere, essa é a maior diferença entre o medo e a covardia, por que o medo, ainda que cause dor, é medo, qualquer um compreende, é humanamente justificável ao contrário da covardia, que ninguém explica.