quinta-feira, 16 de junho de 2016

"Amores" tóxicos



Quero falar de mudanças, das possíveis mudanças que vão acontecendo entre descobertas e quedas, nesse constante "morrer e renascer” em nós e por nós. Não dá para seguir em frente sem se refazer de dez a duzentas vezes por semana.
Andei muito tempo enganada, e enganando outra pessoa em igual medida, presa a um sentimento mesquinho de posse que não tem nada a ver com amor, acontece que por muito tempo parecia amor, mas não era.
Uma parte de mim imaginava que o amor deveria ser leve e não entendia aquele peso, mas outra parte, a parte dependente e possessiva estava convencida de que não precisava ser leve por que os amores não são todos iguais e repetia para mim “amor só é bom se doer”, Vinicius e Baden que me desculpem, já não concordo com isso!
Descobri ao fim de um tempo que os amores até podem não ser todos iguais, mas os relacionamentos abusivos, são imensamente parecidos! Eu sei disso pela distância que tomei do amor que julguei sentir, e por isso foi possível constatar que quando há necessidade de prender e sufocar, e por conseguinte, ser também uma pessoa presa e sufocada, é um relacionamento de posse, um fastidioso relacionamento de posse, onde perde-se a individualidade e torna-se um objeto particular e vazio. O controle mútuo e a necessidade de prestar obediência é tóxico para qualquer tipo de relação. Chamar de amor um relacionamento abusivo não vai torná-lo amor, continuará sendo um relacionamento carente de amor, talvez o melhor e o principal, o amor próprio. Quando erroneamente chamamos amor por que assim gostaríamos que fosse, o que é ruim não melhora, amor não aparece quando é invocado.
Relacionamento abusivo é aquele que você se sente bem por um tempo, até ser culpado de algo e acreditar que é responsável por todas as coisas ruins que acontecem no relacionamento, quiçá, no Universo. É um jogo emocional covarde de culpas e desculpas, o fracasso dorme no meio do casal, temos um ménage à trois bizarro.
Alguns relacionamentos abusivos partem de uma das partes, fazendo do outro sua “vítima”, outros são mantidos pelo casal em pé de igualdade abusiva, o fato é que perde-se muito, primeiro o espaço, depois a razão, as vezes depois de um tempo, é capaz de que a própria identidade se apague, ao fim de tudo fica a história anterior a esse relacionamento, mas vale ressaltar que, em relacionamentos tóxicos não se deve se quer lembrar do passado, não anterior ao seu “amor”, justamente por não inclui-lo, portanto, se não inclui a “pessoa amada” então melhor não pensar, vai que a pessoa descobre, seria fatídico, nos relacionamentos abusivos a sua vida começa com aquela pessoa e só existe com ela.
O relacionamento abusivo é difícil de ser descoberto, confunde-se com amor, por isso pode demorar algum tempo até que se descubra que não é saudável, que você não é mais você, e que se você precisa oprimir para ser feliz é melhor que esteja só. O que pude perceber é que há pessoas que são capazes de acostumar com o que é horroroso, há quem goste do que é tóxico, e por vezes, é possível que um saia e o outro queira continuar, por que ainda continua enxergando amor onde nunca existiu.

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