sexta-feira, 17 de junho de 2016

Se o tédio escrevesse...



O que será que nos move mais, a paixão ou o desejo? Hoje amanheci com essa questão, há tempos atrás julgava ser movida pela paixão, contudo, não sei mais, por que quando sinto desejo, sinto-o forte em mim, por isso percebo que se tratando do meu caso em particular, o desejo se entrelaça com a paixão.

Existe uma resistência em mim quando o assunto é realizar tarefas que não me apetece nada realizar, não consigo me sentir impelida a fazer, não me pesa a obrigatoriedade, logo, para mim, o contrário do desejo é o vazio, a falta do sentir.

A questão que se coloca é, em que medida vivemos ignorando o vazio? Quantas vezes tentamos transformar o vazio em desejo? E os muitos desejos dos outros que tentamos forçosamente tomar para nós como se fossem nossos? Viver a base do convencimento de que o vazio é alguma coisa, é uma miséria! Um autêntico embuste. E não paramos para mesurar, mas acreditem, pesa mais o vazio que o desejo pulsante. A realidade é que falta coragem de reconhecer o que nos move, afinal, custa-nos menos acreditar que queremos do que admitir que não sabemos se queremos, ou ainda, que de todo não queremos, que nunca quisemos, mas na ausência de escolhas, temos que fazer, precisamos dizer, devemos calar e etc. O fato é que nem sempre é possível fazer tudo o que queremos, mas por vezes fazemos tudo o que não queremos de maneira morna, como se errado fosse ceder ao desejo de por exemplo, dizer não! Pode não parecer, mas cabe muita paixão no “não”! Ser morno é ruim, se for para ser um “sim” morninho, mil vezes um “não” cheio de paixão!


15/06/2016

Nenhum comentário:

Postar um comentário